Casa sem corredores
Lembro-me de um corredor escuro, sem luz natural no apartamento onde cresci. O corredor apenas servia para conectar os quartos ao resto da casa.
Essa memória foi importante para desenvolver esta abordagem em que cada metro tem que estar ao serviço da vida.
SIMPLIFICAÇÃO DO PLANO
Começando com os 3 volumes principais, a sala, cozinha e os quartos.
O primeiro passo foi remover o corredor. O vazio que ficou já não está a ser utilizado: passa a poder ser utilizado pelas divisões que o rodeiam.
Sem corredor a prendê-las, as divisões ganham liberdade para se separar, cada um com a sua própria orientação solar e tamanho.
O resultado final: três volumes autónomos, unidos e com mais espaço para cada um deles.
INTERIOR e EXTERIOR
A abordagem que segui acaba por desenvolver espacialmente a sala, mas também faz com que os limites entre o interior e o exterior se desvaneçam.
O resultado é uma sala que se prolonga naturalmente até ao jardim exterior.
Esta vivência entre o interior e o exterior permite que a natureza tenha uma participação ativa na casa: ao invadir o interior visualmente, ao refletir-se nos materiais e ao moldar a própria luz, proporciona uma atmosfera diferente e imprime um novo ritmo à casa.
INTEGRAÇÃO COM TERRENO
Cada divisão passa a ter a área que antes pertencia ao corredor, o que permite tratar o quarto, a casa de banho e a sala como espaços com luz e orientação próprias.
O declive do terreno conduziu a enterrar parcialmente a casa, para que esta se integrasse na paisagem envolvente.
A parte norte fica enterrada e beneficia da inércia térmica do solo, o que acaba por moderar a temperatura dos espaços.